A comunicação está presente em toda história do indivíduo. Desde o nascimento até o fim da sua vida, o homem precisa da comunicação para se socializar, estabelecer relações sociais, aculturar-se e se desenvolver em todos os seus âmbitos e saberes. Assim, analisaremos o filme “O Terminal” considerando a importância da comunicação em nossas vidas e os seus respectivos desdobramentos e implicações no cotidiano.
Inspirado em fatos reais, a incrível história do refugiado iraniano Merhan Karimi Nasseri que viveu por dezoito anos no aeroporto de Paris (de 1988 até 2006); o filme O Terminal (The Terminal, EUA, 2004), dirigido por Steven Spielberg, conta a aventura e a desventura do passageiro Viktor Navorski que foi mantido nove meses no aeroporto de Nova Iorque, impedido, por motivos diplomáticos, de entrar nos EUA. Originário de um país do leste europeu fictício chamado Krakhozia, que sofrera um golpe de estado enquanto viajava para a América, Navorski (estrelado por Tom Hanks) experimenta de forma ora engraçada ora dramática as dificuldades de não dominar o código – no caso, o idioma inglês – em um país estrangeiro.O código é o recurso de comunicação socialmente mais priorizado por abranger mais signos e por sua complexidade poder representar melhor os pensamentos, assim, como Navorski tem apenas um conhecimento rudimentar do inglês, não compreendia o que se passava em seu país, apenas que a América estava fechada para ele. Desse modo, ele passou a prestar atenção às expressões faciais e corporais dos seus interlocutores para compreender o mundo novo à sua volta. Utilizou-se do método de repetição das palavras novas aprendidas, leitura de guias de viagem (comparando idiomas) e de legendas da televisão para aprender a falar e a escrever em inglês. Gradativamente, quanto mais aprendia o idioma mais interagia e estreitava relações sociais: fez amigos, arranjou emprego e até um breve namoro. Fatos que demonstram o quanto a comunicação nos insere no contexto social.
No ponto alto do filme, em uma situação de conflito no aeroporto, identificamos os elementos da comunicação e os tipos de linguagem. O referente era uma situação burocrática na imigração em que um passageiro nervoso e descontrolado não queria entregar os medicamentos que portava ilegalmente. Como o estrangeiro amotinado morava em país fronteiriço à Krakhozia, o diretor do terminal chamou Viktor para servir de intérprete e passar a mensagem de que o viajante teria de deixar os remédios nos EUA por não seguir o protocolo de trazer a autorização médica do país de origem. Navorski serviu de emissor traduzindo a mensagem em um código comum entre ele e o receptor, o passageiro revolto, utilizando-se de sua voz como canal. Sua tradução falada exemplifica a utilização da linguagem verbal que é caracterizada por utilizar a palavra como recurso. Em outro momento, quando o estrangeiro se ajoelha aos pés do diretor com expressão de súplica, este imediatamente compreende que o rapaz estava implorando que o deixasse ficar com os remédios. Nessa situação ficou caracterizada a utilização de uma linguagem mista, pois foi utilizado tanto a fala quanto os gestos e as expressões corporais, elementos que estão nos domínios da linguagem não verbal. Também, no desdobramento dessa cena, Navorski termina sendo maltratado e imprensado pelo diretor sobre a máquina fotocopiadora, que reproduz acidentalmente várias cópias da mão direita de Narvorski. Então, um excêntrico indiano funcionário da limpeza transforma o episódio comovente em um mito heróico em que Narvorski teria salvado a vida do “homenzinho dos remédios” – como se referiu – impedindo os guardas da imigração de matá-lo. A cópia da mão de Viktor tornou-se um símbolo de heroísmo (linguagem não verbal) sendo até afixada em restaurantes do aeroporto. Esse desdobramento evidencia o poder persuasivo na comunicação não oficial nas organizações que normalmente é promovida pelos empregados da base da hierarquia, mas que podem gerar conflitos, boatos perniciosos e até trazer prejuízos em certos casos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário