Percebemos que os portadores de doenças mentais sempre chamaram a atenção da sociedade desde os tempos antigos até os tempos atuais; identificamos que com o passar dos anos muitos avanços ocorreram, principalmente desde a 8ª Conferência Nacional de Saúde (1986) com a superação do modelo manicomial que teve um marco teórico e político.
Direitos foram adquiridos, leis vigoradas, centros de assistências psicossociais atuando, contudo, muito ainda tem que ser feito, para que os portadores de doenças mentais possam viver em uma sociedade sem exclusão e preconceito, que seus direitos adquiridos sejam cumpridos, que passem a valer não só nas linhas que constam na lei, e que sejam intrínsecas em seu viver, assim formando uma sociedade igualitária e justa.
Para que essas conquistas sejam objetivadas, identificamos que aspectos essenciais devem ser trabalhados, aspectos esses que tem que ser minuciosamente elaborados em parceria com o governo, profissionais da área, famílias e sociedade.
Todas as áreas envolvidas, dizem que estão preocupados com a saúde e bem estar dos portadores de doenças mentais, mas tal preocupação não é visivelmente notada, no momento que este doente traz de uma forma direta ou indireta alguns transtornos ou aborrecimentos para seu grupo. O governo, não investe na qualificação e preparação de seus profissionais da área de saúde mental, tampouco proporciona uma renumeração justa para sua equipe técnica. A alimentação e medicação que devem ser direcionadas para os CAPS são realizadas de forma onde a escassez se faz sempre presente, assim como a falta de CAPS III nos casos de atendimento de regime integral. Muitos profissionais cansados e desmotivados devido à precariedade do ambiente o qual trabalham e das ferramentas que são disponibilizadas para que possam exercer suas funções, os mesmos são em alguns casos obrigados a desempenhar funções as quais não lhes compete, para que possam desenvolver uma assistência em um ambiente higienizado e assim prestar atendimento aos doentes e a sua família, pois muitas vezes não se tem um profissional da área de higienização disponibilizado para os CAPS assim como a falta dos materiais de limpeza.
A sociedade por sua vez é ainda como um todo hipócrita e despreparada para proporcionar de uma forma inclusiva o portador de transtornos mentais, muitas vezes ignorando as habilidades e competências que os mesmos possuem, fazendo com que as atividades desenvolvidas no momento alucinatório ou não, sejam desvalorizadas. Para muitos uma vezes louco, eternamente louco, mesmo que este louco esteja em seu momento de lucidez, seus pensamentos são sempre ignorados, considerados sem sentido e questionados, mesmo que sejam os mais sensatos e lúcidos obtidos no momento.
Essa mesmas ações são identificadas no seio familiar, onde familiares já procuram a assistência médica afim de adquirir tranqüilizantes para os pacientes, para que os componentes da família possam ser favorecidos com momentos de paz. Alguns vão até ao medico já com o diagnostico pronto afim de induzir o receituário da medicação e até mesmo conseguir uma internação, pois para alguns entes familiares o bem estar da família como um todo é quando o portador está internado ou sobre efeito da medicação, pois assim não são obrigados a conviver com os comportamentos inadequados visto pela sociedade.
É notório que o sucesso da reforma psiquiátrica ocorrerá quando esses obstáculos citados acima sejam superados assim como os demais existentes que não foram citados neste trabalho, não por serem menos ou mais importantes e sim por serem inúmeros os aspectos que ainda devem ser trabalhados. Ficamos todos os envolvidos na luta e expectativa de uma reforma que, enfim, ofereça aos pacientes e profissionais melhores condições de tratamento e trabalho, preparando e oferecendo subsidio a família para dar um bem estar aos portadores de transtornos mentais assim lhes proporcionando uma qualidade humanitária e inclusiva na sociedade.


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